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Acabei de ler a carta do jornalista Rodrigo Viana, recém-demitido da Rede Globo. O conteúdo não causa surpresas. Quem conhece os meandros do jornalismo praticado pela Vênus Platinada sabe o que se passa em termos de “cobertura” no espaço dos Marinhos. Em geral, não há muita diferença na conduta da emissora quando dos episódios de 1968 (AI-5), das torturas praticadas pelo governo Médici, da tentativa de fraudar as eleições para governador do Rio de Janeiro em 1986 (o caso Proconsult), da edição do debate nas eleições para presidente em 1989, nos recentes episódios do primeiro governo de Lula e nas últimas eleições. Só quem acredita em Papai Noel, gnomos e duendes é capaz de crer na idoneidade das intenções do jornalismo global. Toneladas de pesquisas e teorias já foram produzidas no ambiente acadêmico e degustadas por alunos de Jornalismo para explicar a triangulação entre os interesses da mídia, da economia e da política. A Globo, como sempre, foi referência nesses estudos. Uma referência, diga-se, alusiva a uma instituição que quase sempre fugiu à ética e ao compromisso com a verdade dos fatos. Não se trata daquele couro “anti-Globo” que deixa de cabelos em pé hordas de “vozes autorizadas” pelo bom mocismo de plantão. Afinal de contas, para muitos pensantes da nossa mídia “meter o pau” na Globo é coisa da esquerda jurássica, de jornalistas ressentidos, de pessoas que não reciclam o pensamento. Enquanto isso, a organização dos Marinhos vai buscando ditar como pode a agenda nacional. Quando não, encontra o próprio povo pela frente que lhes vira as costas e reelege um presidente que não agrada à emissora e contra quem conspirou sorrateiramente às vésperas do primeiro turno. Na carta, Viana expõe as vísceras de um jornalismo feito para construir hegemonias e ditar os rumos das coisas. Quem quiser, pode acessar aqui o polêmico texto do jornalista.