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O Chile se livrou de um fardo. Seu ex-ditador Augusto Pinochet, o homem que liderou o golpe de Estado em 23 de agosto de 1973 e depôs o presidente socialista Salvador Allende, morreu neste domingo, dia 10. Fascista assumido, Pinochet foi responsável pela morte de três mil pessoas no Chile durante o regime que ele comandou. O general criou a Direção de Inteligência Nacional, a Dina, órgão que se notabilizou na coordenação da repressão à oposição chilena. Vale registrar que nos dias que precederam o golpe, o Estádio Nacional de Santiago foi transformado em campo de concentração. Mas os crimes do facínora não passaram à margem da indignação internacional. Em 16 de outubro de 1998 o já ex-ditador foi detido em uma clínica de Londres, onde se recuperava de uma cirurgia na coluna. A detenção foi realizada após pedido de prisão emitido pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, que se baseou no relatório da Comissão Chilena da Verdade (1990-1991). A decisão do juiz levou o governo espanhol a pedir a extradição de Pinochet. A decisão alegada é de que entre suas vítimas muitos eram cidadãos espanhóis. Mas o ditador fascista não contou apenas com a repulsa de diversos setores da sociedade chilena. Lá como aqui também existe uma aguerrida classe-média e uma elite econômica com um nível de reacionarismo tamanho que acreditam que os problemas sociais possam ser sanados com ações de truculência e violência política. Os chamados salvacionismos nacionais debitam a meia-dúzia de cidadãos, dotados e autorizados, a chancela de “endireitar” a sociedade. Pinochet e o nosso ex-ditador Emílio Garrastazul Médici são exemplos concretos dessa, digamos, tradição do pensamento senso-comum que na verdade destila todo o enredo fascista de sociedades em crise e convulsões sociais.
criado por Zeca
22:46:27