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A professora norte-americana Debra LaFave, 25, foi condenada por seduzir um aluno. Coitado do rapaz...
Nos Estados Unidos, uma professora de 25 anos, Debra LaFave, foi condenada a trabalhos comunitários supervisionados pela Suprema Corte. Debra assumiu que seduziu um aluno de 14 anos. "(...) Ela é onze anos mais velha do que o garôto e fez um terrível mal ao mesmo (...)". Ou o juiz não entende de mitologia grega, com o complexo de Jocasta, ou deve estar com inveja do garôto. Acho que fico com essa última opinião.
O frisson causado no Senado em relação à proposta de rebatizar o aeroporto de Salvador com o antigo nome, Dois de Julho, dá a medida certa do distanciamento da classe política das aspirações populares. O levante dos “notáveis” ocorreu na sessão de ontem à tarde, quando parlamentares debateram sobre a proposta. Do presidente da casa, Renan Calheiros, a senadores do porte de Eduardo Suplicy (PT-SP), foi quase unânime o coro em prol da manutenção do atual nome, Deputado Luis Eduardo Magalhães, uma homenagem ao filho do senador Antônio Carlos Magalhães que morreu em 21 de abril de 1998.
A verborréia foi a mesma, no parlamento e na mídia. Os senhores senadores se mostraram indignados com a possibilidade da mudança do nome. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), líder da oposição, classificou a proposta de “pequena”. Outros senadores, como Agripino Maia (PFL-RN) e Suplicy (PT-SP), improvisaram panegíricos à memória do político falecido. No Jornal do Brasil, o declarado jornalista carlista Augusto Nunes se encarregou de publicar nota ácida atacando o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner.
A atitude do Governo Federal, comandado à época pelo ex-aliado de ACM, Fernando Henrique Cardoso, revelava um mimo nas entrelinhas dos interesses das gestões de FHC e ACM. Os carlistas, naquele momento, disponham de farta bancada no Congresso Nacional e o presidente precisava desses votos para tocar seu governo. Era uma aliança política. Luis Eduardo Magalhães, que fora presidente da Câmara Federal, candidato ao governo da Bahia e tido como um dos quadros presidenciáveis dos pefelistas, postara-se como um dos mais sólidos pilares desse acordo envolvendo o PFL baiano e o tucanato de alta plumagem de São Paulo.
Dar o nome do aeroporto ao filho do presidente do Senado era mais do que um gesto de delicadeza, era selar essa aliança em meio à turbulência do falecimento da principal peça-chave da mesma.
E essa negociata política rifou a verdadeira homenagem feita pelo povo da Bahia aos seus heróis quando nomeou o aeroporto da capital do Estado com o nome de Dois de Julho. Certamente que o jornalista Augusto Nunes e os senadores da República desconhecem essa história, pois se conhecessem não tomariam tal atitude. E até mesmo aqueles que se colocam ideologicamente no campo politicamente antagônico ao carlismo, mas que defenderam a manutenção do nome atual por puro espírito de compadrio corporativista. É o caso da Vossa Excelência Suplicy.
Luta de resistência
O Dois de Julho foi luta popular de libertação. O Dois de Julho é festa cívica popular e na Bahia representa mais do que o próprio Sete de Setembro. Foi o momento em que o povo “baiense”, como nos narra os livros de História, se levantou contra a opressão portuguesa que ainda teimava em dominar o Brasil um ano após o processo de independência. Foi a guerrilha em Cachoeira e Salvador que uniu caboclos, negros e brancos brasileiros contra as tropas portuguesas. Dois de Julho poderia se chamar até mesmo o nome do Estado. E essa data de tanta representatividade simbólica para a memória cívica dos baianos foi vilipendiada para dar lugar ao culto à personalidade de uma dinastia que se sentia dona da Bahia. O aeroporto é Dois de Julho!
Acabei de ler a carta do jornalista Rodrigo Viana, recém-demitido da Rede Globo. O conteúdo não causa surpresas. Quem conhece os meandros do jornalismo praticado pela Vênus Platinada sabe o que se passa em termos de “cobertura” no espaço dos Marinhos. Em geral, não há muita diferença na conduta da emissora quando dos episódios de 1968 (AI-5), das torturas praticadas pelo governo Médici, da tentativa de fraudar as eleições para governador do Rio de Janeiro em 1986 (o caso Proconsult), da edição do debate nas eleições para presidente em 1989, nos recentes episódios do primeiro governo de Lula e nas últimas eleições. Só quem acredita em Papai Noel, gnomos e duendes é capaz de crer na idoneidade das intenções do jornalismo global. Toneladas de pesquisas e teorias já foram produzidas no ambiente acadêmico e degustadas por alunos de Jornalismo para explicar a triangulação entre os interesses da mídia, da economia e da política. A Globo, como sempre, foi referência nesses estudos. Uma referência, diga-se, alusiva a uma instituição que quase sempre fugiu à ética e ao compromisso com a verdade dos fatos. Não se trata daquele couro “anti-Globo” que deixa de cabelos em pé hordas de “vozes autorizadas” pelo bom mocismo de plantão. Afinal de contas, para muitos pensantes da nossa mídia “meter o pau” na Globo é coisa da esquerda jurássica, de jornalistas ressentidos, de pessoas que não reciclam o pensamento. Enquanto isso, a organização dos Marinhos vai buscando ditar como pode a agenda nacional. Quando não, encontra o próprio povo pela frente que lhes vira as costas e reelege um presidente que não agrada à emissora e contra quem conspirou sorrateiramente às vésperas do primeiro turno. Na carta, Viana expõe as vísceras de um jornalismo feito para construir hegemonias e ditar os rumos das coisas. Quem quiser, pode acessar aqui o polêmico texto do jornalista.
A “nova” agora são os cursos à distância. Instituições de ensino superior proliferam no país para oferecer formações que só exigem a presença física do aluno uma a duas vezes por mês na sala de aula. Na oferta do balaio educacional tudo pode acontecer. Administradores, matemáticos, historiadores etc, agora são formados com o suporte do computador. Dia desses me deparei com uma semioticista que se dizia especialista em “filosofia da tecnologia”. He, he, he. Pensei: essa aí vai fazer revirar Herbert Marcuse no túmulo. A “racionalidade” que opera a desilustração, com jeito de informação, ganhou contornos de algo presumivelmente sério. Ou é brincadeira? Não! São as saídas competitivas do mercado, dizem os yupizinhos de plantão.
A rainha da auto-ajuda matinal tem compaixão para com os cachorrinhos de madame desamparados
Um mínimo de sensatez e posicionamento crítico seria de bom alvitre para analisar o programa Mais você, transmitido pela Rede Globo todas as manhãs e que tem como apresentadora Ana Maria Braga. A loura esticada é chegada a lições de bom moralismo e filosofia de auto-ajuda. Sabe passar “sentimentos” aos telespectadores com ninguém. Aliás, outro dia uma de suas pérolas foi a compaixão que ela demonstrou para com os “cachorrinhos que ficam tristes quando os donos viajam”. Pauta interessante, não? E nesse programa ela “entrevistou” especialistas sobre o tema. O quadro teve direito à matéria em hotéis de cães situados em São Paulo, onde os bichinhos são acompanhados até por veterinários que entendem de psicologia para cachorros. Não convém aqui patrulhar, não é o que preside, mas é chegado o momento de uma faxina na indústria cultural tupiniquim. Como dizia o crítico Stanislau Ponte Preta, o FEBEAPA, ou melhor, o festival de besteiras que assola o país, chegou a uma situação limite.