Textos ao vento

Um pouco de tudo. Um bate papo sobre política e sociedade contemporâneas sustentado na cultura noticiosa. Jornalismo em diálogo constante com a história. Editor responsável - José Carlos Peixoto Júnior DRT-BA/1884

Textos ao vento

Um pouco de tudo. Um bate papo sobre política e sociedade contemporâneas sustentado na cultura noticiosa. Jornalismo em diálogo constante com a história. Editor responsável - José Carlos Peixoto Júnior DRT-BA/1884
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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2006

26.11.06

Destrinchando a mídia

 A filósofa Marilena Chaui faz uma imersão cirúrgica na mídia no seu mais recente trabalho, no qual ela analisa a construção ideológica dos discursos produzidos pelos meios de comunicação de massa 

O recém-lançado livro da filósofa Marilena Chaui, Simulacro e poder; Uma análise da mídia, traz profícua discussão sobre o papel dos meios de comunicação de massa na sociedade brasileira contemporânea. De forma precisa, Chaui avalia as diversas formas de dominação a partir dos discursos canalizados no meio social. Para a filósofa, a informação ganha status de “coisa” descartável numa sociedade marcada pela enfática atuação dos mass midia. Ao mesmo tempo, afirma Chaui, a diversidade tecnológica da mídia constrói uma sociedade sustentada na cultura do “índice”, onde de tudo se apresenta e pouco se aprofunda. E é justamente por aí que se dá o processo de dominação ideológica. “Os acontecimentos são relatados como se não tivessem causas passadas nem efeitos futuros: surgem como pontos puramente atuais ou presentes, sem continuidade no tempo, sem origem e sem conseqüências; existem enquanto objetos de transmissão e deixam de existir se não são transmitidos”, afirma. Para entender essa névoa de sujeitos e passagens de momentos, propositadamente lançada pelos meios de comunicação de massa com o intuito de confundir as contradições sociais, basta observar o simulacro das telenovelas. Dia desses, um episódio de Páginas da Vida, transmitida no horário das 20h30 pela Rede Globo, revelou um diálogo simplório, mas interessante, entre os personagens vividos pelos atores Thiago Lacerda, José Méier e Nathália do Vale. Sentados à mesa, os personagens conversavam galhardamente saboreando salmão e vinho branco. “Esse salmão está ótimo”, afirmou Greg, personagem vivido por Méier. Resta saber que tipo de olhar de empatia milhões de telespectadores brasileiros, vivendo remediados, podem ter sobre um saboroso salmão. O quilo custa em torno de R$50. Mas como dizia o carnavalesco Joãozinho Trinta, “povo gosto de luxo e não de lixo”. Contudo, daí a acinte há uma distância de anos-luz. Para muitos que não têm o que comer, o texto é sim uma agressão. Aliás, nas telenovelas globais o hiato que separa ricos, classe-média e pobres não existe. O que existe é sempre o bem e o mal, e de forma difusa a confundir, como assinala Marilena Chaui. A passagem da zona norte do Rio de Janeiro às mansões da Barra da Tijuca se dá como num passe de mágica. Não há contradições aparentes, o que existe é um bom mocismo como remédio para todos os males sociais.

Serviço:

Simulacro e poder. Uma análise da mídia

Editora Fundação Perseu Abramo

142 páginas

  • criado por  Zeca criado por Zeca
  • Postado em 21:14:49

Cartolagem que atolou o Bahia foi posta da parede

 

 A apaixonada torcida do Bahia não agüenta mais tantos desmandos no clube, que foi aparelhado por cartolas que só buscaram utilizar o time como tranpolim político para os seus desmandos. Na última sexta-feira, 24, a massa tricolor foi às ruas de Salvador para exigir a saída da cortalogam malandra que detonou o time. O Bahia pertence ao povo da Bahia!  

E quem disse que futebol e política nada têm em comum. Tudo, diria. Ainda mais num país como o Brasil. Na última sexta-feira um fenômeno inédito ocorreu na Soterópolis. Uma multidão, calculada em cerca de 50 mil pessoas, ganhou o centro de Salvador para protestar contra a débâcle do time de maior torcida no Estado, o Esporte Clube Bahia. Pacificamente, a torcida tricolor protestou e exigiu a saída dos atuais dirigentes, comandados pelo cartola Petrônio Barradas, marionete do cartola-mor do clube, o atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Paulo Maracajá Pereira. Não foi para menos. Duas vezes campeão brasileiro (1959/1989), o “Esquadrão de aço”, como ficou apelidado o time ao logo dos seus 75 anos de existência, viu declinar sua força chegando à vexaminosa Terceira Divisão do campeonato brasileiro. Em entrevista concedida à revista Caros Amigos (edição 111, p. 36), o jornalista esportivo Juca Kfouri foi ao cerne da questão: “A turma do ACM levou o Bahia à bancarrota. A torcida do Bahia é uma das coisas mais maravilhosas que tem nesse país”. Correto, sem tirar nem por. O Bahia sempre foi o trampolim para as negociatas políticas do grupo que foi hegemônico no Estado por dezesseis anos. Sobre os ombros do time foram eleitos parlamentares da base de sustentação do Carlismo nas esferas estadual e federal. Fizeram do clube um harém para os mais prostituídos intentos. Agora veio a cobrança, e justa! Largado como um bagaço de fruta chupada, o time está na UTI da história e só quem poderá salvá-lo é sua gigantesca e fiel torcida. Nesse momento em que a Bahia vive ares de mudança, é salutar que o time mais popular do Estado supere essa fase de trevas e consiga ressuscitar da fênix. Que o Bahia seja devolvido a quem lhe é dona de direito, à sua torcida. Basta de desmandos no clube! Vamos voltar a ver a Fonte Nova sorrir nas tardes de domingo!

  • criado por  Zeca criado por Zeca
  • Postado em 19:04:55

19.11.06

Napoleão inspira o "príncipe"

Prometi a mim mesmo que daria um tempo de falar do ACM. Bater na mesma tecla cansa não só a este escriba, mas sobretudo aos meus poucos leitores. Como sou incorrigível em matéria de questionar o carlismo, asseguro que esse será o último dos próximos meses. Juro que vou tentar. Mas vamos lá. O que me traz novamente ao teclado sobre esse assunto foi matéria publicada hoje no Correio da Bahia, o jornal do próprio, que informa sobre a utilização política da Petrobrás por parte do Governo Federal. É justo o esperneio diante da surra que o camarada levou nas urnas, creio que ele tem o direito de chorar à vontade, mas daí a falar sobre aparelhamento de empresa pública. Como assim? Durante 16 anos o poderio de ACM foi sustentado pelo controle total dos órgãos do Estado da Bahia, inclusive, em muitos momentos, até o Poder Judiciário local. Recursos públicos foram canalizados para as empresas do senador, como denunciou o deputado estadual Emiliano José. De acordo com ele, o “axeduto” se notabilizou pela transferência de dinheiro do erário para os meios de comunicação pertencentes à família de ACM. O processo se dava mediante veiculação de peças publicitárias. Ao longo de toda era carlista foi assim. Quem não se lembra também que após renunciar ao cargo de senador para não ser cassado, durante a crise da violação do painel do Senado, Antônio Carlos Magalhães era figurinha carimbada nas páginas do Diário Oficial do Estado. E ele não era nada, ou ex-senador tem essa prerrogativa? Na revista Veja (toc, toc, toc) dessa semana o “homi” é entrevistado sob o título de “Príncipe”. Um inspirador tardio de Maquiavel? Quem sabe? Na entrevista concedida à jornalista Thaís Oyama, na verdade um levantar de bola para ACM chutar, o velho babalorixá afirma que não perdeu as eleições e sim Paulo Souto. Quer dizer que quando os candidatos dele ganhavam era uma prova da sua força, e quando perdem, não? Assim é fácil, não é Painho? E afirma ainda, peremptoriamente, que voltará ainda com mais força. Aqui é mais uma questão de respeitar os atos de um senil, afinal de contas a velhice merece respeito, mesmo sendo quem é. A nobre repórter da Veja adoça o ego do senador falando do que ele gosta: poder. É um festival de acariciamentos. O momento da entrevista que parecia mais tenso, quando ele é perguntado sobre a violação do painel e os grampos telefônicos que chocaram o Estado, a repórter se acomoda e se satisfaz diante das respostas evasivas de ACM, que prontamente nega seu envolvimento com os fatos e foge dos temas. E ela não faz questão de inquiri-lo com mais audácia. A moça resolve passear então pelas leituras de cabeceira do babalorixá, como “todas as biografias de Napoleão Bonaparte que ele já leu”. E Oyama ainda é classificada pelo seu colega da Veja, o coroinha Reinaldo Azevedo, como uma “artista” na arte da entrevista. Melhor: três artistas, ela, o Reinaldo e ACM.

  • criado por  Zeca criado por Zeca
  • Postado em 21:55:27

12.11.06

Um grande filme

 

O  militante estudantil Ítalo (Caio Blat, à esquerda) é uma das amizades de  Mauro (Michel Joelsas) em meio às perseguições políticas e jogos de botão. Um filme onde o humano prevalece e a ditadura é vista por uma ótica ainda pouco explorada 

 Shlomo (Germano Haiut, à direita) é o velho judeu que lhe ampara e protege numa situação inusitada

Até o momento, poucos filmes têm conseguido retratar, mediante a pureza do sentimento humano, os chamados anos de chumbo do Regime Militar. O ano em que meus pais saíram de férias, com direção de Cao Hamburger, é um dos que cumpre com maestria esse intento. Um pré-adolescente mineiro, apaixonado por futebol de botão, se vê em situação inusitada quando seus pais, militantes políticos perseguidos, são obrigados a deixá-lo com o avô paterno em decorrência da repressão instalada no país pelo general Emílio Garrastazul Médici. O presidente que entrou para a História do Brasil com as mãos sujas do sangue espirrado dos porões da tortura.
Mas a película não se fixa na tragédia, esta apenas adorna o roteiro. Os difíceis momentos do garoto Mauro, interpretado por Michel Joelsas, que se vê longe dos pais e sem poder manter contato com os mesmos, são sublimados por passagens bem particulares daquele triste momento da vida nacional. O Brasil da intensa repressão é o mesmo que discute se os craques Tostão e Pelé poderiam atuar juntos na mesma seleção que foi à Copa de 70. Mauro está envolvido nessa atmosfera e se toma preocupado com a figurinha do jogador Everaldo, a que lhe faltava para completar o álbum. A ditadura lhe passa à margem. Apenas seus efeitos lhes são devastadores.
O garoto passa o período das “férias” fórceps dos seus pais, que prometem estar de volta no início da Copa, no bairro do Bom Retiro, tradicional reduto da comunidade judaica de São Paulo. Seu pai, Daniel Stein (Eduardo Moreira), fora criado naquele ambiente social e era filho do barbeiro Mótel (Paulo Autran).

Tradição cultural e militância


A comunidade do Bom retiro o ampara como filho, principalmente na pessoa do velho judeu Shlomo (Germano Haiut), que procura entender sua presença ali diante de uma situação inusitada.
São momentos marcados pela tradição da cultura judaica, com belas passagens de rituais na sinagoga do Bom Retiro. Mauro é judeu por parte de pai, mas só se dá conta das suas origens culturais e religiosas quando se encontra convivendo com as pessoas daquele bairro.
Por outro lado, e sem forçar a barra para isso, o filme recapitula o maginário da luta estudantil com o personagem Ítalo, um engajado universitário interpretado primorosamente pelo ator Caio Blat. O mesmo Ítalo que tem seus momentos de "fraqueza" quando vibra com os gols de Pelé e cia é aquele que picha os muros do bairro exigindo o fim da ditadura. No mais, o que Cao Hamburger levanta é uma belíssima discussão sobre a liberdade e o sentimento humano num país marcado pela tragédia de um regime facínora. Vale à pena conferir.

  • criado por  Zeca criado por Zeca
  • Postado em 22:14:13

Eles não se emendam

 O netinho fica sem brinquedo......

 ...Pois vovô perdeu tudo e, como sempre, quer golpe de Estado

O senador ACM parece que não se emenda mesmo. Golpista de carteirinha, tem feito declarações no Senado cobrando o que ele chama de "investigações a respeito dos episódios que escandalizaram o país". Parece piada! Faça-se a vontade de ACM. Aqui na Bahia teremos muitos escândalos a serem investigados pelo próximo governo. Mas é bom  ficar de olho nas condições de segurança do Centro Administrativo do Estado, pois pode ser que ocorram mais "incêndios" por aquelas bandas e valiosos "'papéis" venham a desaparecer. E por falar em escândalos, quem sabe o babalorixá falido abre sua pasta rosa, a famosa, para que a opinião pública saiba daqueles volumosos conteúdos? O hoje simulacro de poder ACM ainda busca conquistar simpatias com seus discursos de efeito pseudomoralistas na intenção de ganhar consensos. Algumas lembranças para o "painho": A ditadura militar acabou faz mais de duas décadas; O país reelegeu a presidente um dos seus algozes políticos (o que o transformou em hamster rsrsrssr); E o povo da Bahia não mais acredita no carlismo. ACM é um zumbi político. Tem ainda seu netinho (aquele que sofreu um acidente às vésperas do primeiro turno mas saiu ileso porque estava sentado na cadeirinha de criança do carro), mas esse aí, assim como o avô, está agora tal qual um órfão para fazer política, sem influência na Prefeitura de Salvador e nos governos estadual e federal. Vão ter problemas de inanição.       

  • criado por  Zeca criado por Zeca
  • Postado em 09:24:52