Textos ao vento

Um pouco de tudo. Um bate papo sobre política e sociedade contemporâneas sustentado na cultura noticiosa. Jornalismo em diálogo constante com a história. Editor responsável - José Carlos Peixoto Júnior DRT-BA/1884

Textos ao vento

Um pouco de tudo. Um bate papo sobre política e sociedade contemporâneas sustentado na cultura noticiosa. Jornalismo em diálogo constante com a história. Editor responsável - José Carlos Peixoto Júnior DRT-BA/1884
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Arquivo de: Outubro 2006

28.10.06

A grande imprensa que se explique ao povo

Hoje, 28 de outubro de 2006, véspera do segundo turno da eleição presidencial do Brasil. São 22h. Estamos há mais ou menos 10 horas para o início do pleito. Durante aproximadamente 41 dias o presidente-candidato Lula foi cobrado pelas oposições sobre a origem do valor de R$ 1,7 milhão que supostamente estaria sendo usado para a compra de um dossiê que incriminaria políticos do PSDB. A prisão de pessoas ligadas ao PT pela Polícia Federal com o “dinheiro à mão” foi a senha para que a grande imprensa passasse a iniciar uma série de “matérias” sobre o episódio. Jornalistas de “opinião” elegeram o problema como a tecla predileta que norteava seus textos. O coro da mídia era uníssono, com destaque para os grandes veículos, em especial a Globo com seu Jornal Nacional e a caluniosa e desprezível revista Veja. Dia após dia manchetes volumosas ocuparam espaços nas telas da TV e nas páginas dos jornais. “Petistas” passou a ser quase uma sinonímia de algo escuso, criminoso. A pressão recaia também sobre a Polícia Federal, que estaria fazendo “corpo mole” para elucidar a origem do dinheiro. Saudosistas de Carlos Lacerda, a exemplo de Jorge Bornhausen, Antônio Carlos Magalhães, Tarso Jereissati, Fernando Henrique Cardoso, entre outros, queriam, na marra, destituir o presidente. Até o “insuspeito” presidente do Superior Tribunal Eleitoral, ministro Marco Aurélio Mello, entrou de braços abertos na charanga: “É um problema mais grave do que o caso Watergate”, afirmou do alto da sua “razão”, referindo-se ao esquema de espionagem nos Estados Unidos que levou à renuncia o presidente republicano Richard Nixon, em agosto de 1974. Na imprensa, poucas vozes buscavam o caminho do equilíbrio. Clovis Rossi, Paulo Henrique Amorim e Mino Carta foram algumas dessas ilhas de sensatez. No entanto, o desespero da geração Daslu e seus próceres foi aumentando à medida que a campanha atingia a reta final. O presidente não caiu. A manobra com a foto da dinheirama só conseguiu postergar a decisão do pleito para o segundo turno. Após a primeira rodada das pesquisas de intenção de votos, o soerguimento de Lula era claro. Na última rodada os institutos estão apontando o presidente com uma vantagem que varia de 20% a 26% pontos de diferença em relação ao seu opositor, Geraldo Alckmin. E o fato espetacular que poderia impedir a reeleição do presidente não aconteceu. Aconteceu, sim, foi que as investigações da Polícia Federal chegaram às primeiras farsas montadas pelo tucanato. O envolvimento da secretária-executiva do PSDB de Pouso Alegre (MG), Rosely de Souza Pantaleão, que se passara por jornalista, foi elucidado pela PF. Rosely teria denunciado à própria PF, mediante estelionato de identidade profissional, a existência de um "laranja", o pedreiro Luiz Armando Silvestre Ramos. Só que o depoimento era falso. Ramos afirmou ter levado R$250 mil para um homem que apontou como Lacerda (Hamilton Lacerda, ex-coordenador da campanha de Aloizio Mercadante). O valor seria parte do R$ 1,7 milhão a ser pago por petistas pelo dossiê que comprovaria o envolvimento dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin com a máfia das ambulâncias. Estou apostando: as investigações comprovarão que o esquema do dossiê foi armado pelo próprio PSDB para incriminar o PT. Aguardemos. O putrefo jornalismo nacional quebrará a cara. A propósito, quanto a esse esquema onde se encontra a pujança das grandes manchetes de outrora? Os novos fatos não mais servem à grande mídia? Perderam seus critérios de noticiabilidade? Ao abrir hoje a primeira página de um grande jornal soteropolitano, eis que me espanto com o destaque dado à armação do PSDB: uma chamada de capa discreta, com fontes pequenas e quase imperceptíveis. Curioso, não? O mesmo jornal que há dois dias estampara na capa com letras garrafais: “Confiante na vitória de Lula, MST volta a invadir terras”. O texto afirmava que no dia 29, data da eleição, os sem-terra invadiriam propriedades para firmar posição. No dia seguinte, o mesmo destaque não foi dado à declaração do deputado estadual Walmir Assunção (PT), um dos líderes do movimento na Bahia, assegurando que as ações futuras do MST ainda seriam debatidas em encontros a serem realizados no início do próximo ano. Não se cogitava invasões de terras no dia 29. É só para ilustrar os disparates. Na verdade, o que se assiste, tomando emprestadas as palavras do jornalista Clovis Rossi, é a imprensa dando tiros no pé. Pensando em conduzir a opinião pública, os donos dos meios de comunicação não perceberam a formação de um novo fenômeno político no Brasil. Formadores de opinião minam nas camadas da população que outrora se deixavam levar por outros núcleos de construção de opinião. Menos miseráveis e mais pessoas pobres, que ainda assim estão comendo e passando a discutir política. É para essas pessoas que a imprensa nacional pensou estar falando, mas não estava. Por outro lado, as camadas médias passaram a contar com a internet, que de alguma forma neutralizou a cantinela previsível dos jornalões desse país. A história não tardará a fazer justiça e apontar que os dias que se passam ficarão marcados como um tempo em que a imprensa brasileira perdeu os estribos da ética para ser serviçal das mais escusas causas. Enquanto isso, retornando de uma corrida no fim da tarde, me deparo com um vendedor de cafezinho na orla de Salvador. Num carrinho improvisado, onde sob os lastros se encontravam as garrafas térmicas, está lá a foto do presidente Lula. No som que leva agregado ao equipamento de trabalho, a voz de Bob Marley entoa: “Buffalo soldier....fight an arrive, fight for survive...”

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  • Postado em 22:10:45

25.10.06

Não passará!

 O comentarista da Veja, Reinaldo Azevedo, se sentiria bem nessa foto, ou não?

O católico apostólico romano Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja e pit bull de primeira hora da brigada alquikimista, jogou a toalha. “Não dá mais”, afirmou raivoso ante a provável vitória de Lula no próximo domingo. Mas não se faz de rogado. Já declarou que continuará sua luta para desestabilizar o segundo mandato do presidente. O escriba disse num dos últimos posts no seu blog (veja aqui na íntegra): “Eu quero ver o petismo derrotado. Porque é um mal para o Brasil (...) Estou muito tranqüilo. A oposição fez sempre o contrário do que recomendei. Olhem: tão logo comece a nova legislatura, e o ministro da Fazenda de Lula, Guido Mantega ou qualquer outro, seja chamado a dar explicações, por que a bancada do PSDB e do PFL não se juntam para protegê-lo, a exemplo do que faziam com Palocci?”. Imagino então a “tranqüilidade” dessa besta fascista. Ao acusar o governo de antidemocrático, eis que o próprio é o primeiro a se levantar contra a ordem democrática. Prega golpe abertamente e de forma peremptória e ataca os setores das oposições que acatam os desígnios da vontade popular. Confesso que até não achava estranho as diatribes dos repórteres e colunistas da Veja, que já classificaram o povo árabe de “povo do turbante” e “terroristas” durante os episódios do 11 de setembro. Mas o ódio que esse senhor destila contra nordestinos e pobres, os quais, invariavelmente, ele associa ao crescimento da candidatura de Lula, é algo que deveria ser caso de polícia. E sua índole fascista é explícita: “Acabou. Eu já estou pensando no que eles chamam “tapetão”. Continuarei a brigar por aquilo que eles apelidaram de “terceiro turno” — que nada mais é do que o triunfo da legalidade. Sim, o voto em Alckmin, agora, é uma manifestação de resistência”. No meu último post alertei para a construção de um processo em curso de desestabilização política do país por parte de setores da extrema direita. Não é alarmismo, é realismo. Pessoas do naipe de Azevedo, assim como Antônio Carlos Magalhães, Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes, não titubeariam em resolver a derrota eleitoral com a ruptura constitucional. Não duvido e nem duvidem. De minha parte, já inicio a resistência à legalidade, que não é a mesma argüida pelo Reinaldo Azevedo.

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  • Postado em 23:01:19

19.10.06

E o lacerdismo paira...

 Carlos Lacerda, o Corvo, fez escola na política nacional e seu espírito golpista ascende como uma sombra. Lacerda ajudou a derrubar Getúlio em 1954, atanazou o governo de Juscelino e conspirou para o golpe de 1964. Seus seguidores tentam reviver sua sanha

Começa a ser constante, mesmo palavra de ordem, o presumível “acerto de contas” durante, o que tudo indica, o segundo mandato do presidente Lula. No decorrer da semana, o candidato do PSDB-PFL declarou que, caso Lula seja reeleito, “o governo termina antes de começar”. Posteriormente, a frase de Alckmin foi “decodificada” com o complemento que a mídia não veiculou. Ele teria afirmado que a antecipação da disputa de 2010 ocuparia sobremaneira a agenda nacional e que não haveria clima para a governabilidade. Mas daí até o entendimento, tome-lhe respostas. A mais ácida partiu do presidente do PT, Tarso Genro, que viu na atitude do ex-governador de São Paulo “uma faceta Pinochet da sua personalidade”, numa alusão ao ex-ditador chileno. Interpretações e calores da disputa política à parte, posições efetivamente golpistas vêm sendo ensaiadas por políticos do porte dos senadores Antônio Carlos Magalhães e Jorge Bornhausen, do prefeito do Rio de Janeiro César Maia, e de outras lideranças políticas do PFL e PSDB.
Estes, entre outros, são personagens do atual momento político que o jornalista Franklin Martins aponta como aqueles que “estão com a faca nos dentes”. Vários e influentes colunistas da grande imprensa têm tomado a mesma postura, a exemplo da experiente Dora Kramer, que aposta piamente nesse “acerto de contas”, assim como o colunista da revista Veja Reinaldo Azevedo, cuja virulência do discurso chegou às vias de provocar reações fascistas por parte dos seus leitores. Um deles declarou que a boa aceitação do presidente registrada nas últimas pesquisas dos institutos Datafolha e Vox Populi, “é coisa desses nordestinos ignorantes, feios, sujos e malvados que são capazes de vender as próprias filhas para caminhoneiros”.
Não sou tão simplista e inocente em acreditar que esse bate boca se limitaria à efervescência da campanha política. Tenho cá minhas sinceras dúvidas. Faz apenas alguns meses que o hoje derrotado ACM conclamou as Forças Armadas a intervirem no país depois que os militantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MSLT) invadiram o Congresso Nacional. “Onde estão as Forças Armadas?”, bradou da tribuna do Senado um ACM tomado pelo ódio. São reações de classe. O que temem não é o governo de Lula em si, mas um novo processo de politização em curso na sociedade brasileira que lhes fugiu ao controle.
É fato que as correlações de forças políticas no país estão em alteração. Um novo bloco hegemônico começa a ser erguido. O primeiro governo de Lula, com todas as limitações na área econômica e alianças que ainda perpetuarão num possível segundo mandato, provocou a expansão de segmentos outrora marginalizados economicamente. A migração de 30% da população para a classe de renda C e o aumento real do poder aquisitivo dos assalariados que percebem de um a cinco salários mínimos têm constituído um novo segmento social. Consumir 70% mais alimentos, adquirir eletrodomésticos e conseguir ver o filho adentrar ao sacrossanto mundo universitário por intermédio de programas de bolsas não é uma simples conquista. E é justamente esse segmento, ao qual tem se agregado parcelas consideráveis das classes médias, que está levando o projeto de Lula à vitória eleitoral. Há um fenômeno novo. Parte considerável da população entendeu que pode ter a história nas mãos.
O governo, ainda que detenha um grande passivo social, tem atuado como um mediador que respeita as tensões e não criminaliza os movimentos sociais. O progresso econômico, diria, não é entendido como resultado da ótica de uma sociedade que deva ser controlada apenas a partir das demandas das classes dominantes. Compreende-se que as pressões, particularmente aquelas encetadas a partir dos setores excluídos, se integram como um fato comum à construção e consolidação da democracia.
E é justamente a defesa desse espaço conquistado que está em jogo para esses segmentos. Um Estado que lhes deu a mínima atenção foi suficiente para despertar e desencadear esse novo processo. Mesmo setores da esquerda que não marcharam com o projeto do PT no primeiro turno passaram a compreender que a continuação desse processo, ainda que sob ressalvas, e por que não dizer com justíssimas críticas a algumas das suas concepções, não deve ser alterado por um outro que representa o atraso. Um dos que assim pensa é o sociólogo Francisco de Oliveira, um dos fundadores do PSOL.
Retomando a base da nossa argumentação, é evidente que esse é um quadro político que não desperta paixões por parte de expressivos setores das classes dominantes que historicamente comandaram o jogo político e ditaram as regras na sociedade. Iludem-se aqueles que pensam que a repulsa ao governo Lula é limitada aos escândalos e à falta de ética argüidos pelos próceres do PFL e do PSDB. Outrora nunca tiveram essa postura e agora passaram a ser paladinos da moralidade? Como assim? Fosse Antônio Carlos Magalhães algum símbolo de ética teria ele passado boa parte de vida em confraria com pessoas do naipe de Ângelo Calmon de Sá e companhia limitada?
Acordemos. O que move o ódio desses senhores pelo atual projeto político de Governo é que eles estão perdendo o controle numa nova configuração social e política. Para tanto, escondendo-se no biombo da ética e da moralidade, na verdade tramam ardilosamente para a interrupção desse processo. O povo brasileiro deverá estar atento e vigilante, pois o espírito de corvo de Carlos Lacerda está pairando sobre o país, novamente. Assim foi em 1954, quando derrubaram Vargas, durante o governo de Juscelino, e por fim em 1964, com a quartelada que depôs Jango. Toda atenção é pouca!

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  • Postado em 22:42:27

13.10.06

Arnaldo Jabor fazendo campanha na Globo

O arranjador de comentarista da Rede Globo e pseudo-cineasta Arnaldo Jabor arregaçou as mangas na noite desta quinta-feira (12) para fazer campanha, explicita e aberta, a favor de Geraldo Alckmin. No seu comentário performático, com gestos e nuances circenses, Jabor começou falando da ameaça que representava o teste nuclear realizado pela Coréia do Norte do ditador  Kim Jong II. Depois comparou o país ao vizinho Coréia do Sul. "Uma república democrática, que atingiu um excelente desenvolvimento social e econômico", disse o comentarista entre caras e bocas. Até aí, tudo bem. Todavia, no final da palavra, eis que o pesudo-cineasta afirma: "No Brasil, temos agora duas alternativas, uma democrática e que quer reformas profundas na sociedade e no Estado; E outra que se sustenta na atuação de um estado-monstro, que devora toda a sociedade". Depois emendou: "Lá (na Coréia do Norte) como aqui, o povo segue, como uma doença, um líder que vê nele a esperança de melhores dias". Ora jabor, nem que você tivesse um profundo conhecimento da geopolitica internacional deveria cair na asneira de comparar Lula a  Kim Jong II. Ou a construção de uma alternativa à esquerda no Brasil traz alguma semelhança com aquela aberração da Coréia do Norte? Se liga Jabor! Na verdade, entendemos que o cineasta menor tem muitas saudades da era FHC, de quem foi porta-voz informal durante oito anos.  

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  • Postado em 19:04:37

12.10.06

Imprensa sinistra!

 Ao lado, flagrante de  reunião de pauta entre editores de um grande jornal da imprensa nacional. Estão discutindo o que será a "opinião" do povo no dia seguinte  

A diferença entre a opinião pública e a opinião publicada é tema corrente entre diversos estudiosos da esfera pública, entre eles Jürgen Habermas. Em resumo, o pensador alemão entende que os meios de comunicação pautam, agendam e enquadram os fatos a partir de uma visão de mundo ideologizada e comprometida. O objetivo, segundo ele, é levar suas posições à agenda da sociedade para angariar consensos. É o que o filósofo italiano Antônio Gramsci chama de aparelhos ideológicos. A imprensa, como um desses aparelhos, busca construir blocos hegemônicos de poder político. Quer fazer da sua opinião a opinião do público.
No último dia 8 a TV Bandeirantes promoveu o primeiro (com)debate do segundo turno entre os candidatos à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB-PFL) e Lula (PT-PCdoB-PRB). O formato do debate, mediado pelo jornalista Ricardo Boechat, permitiu um embate duro entre os duelantes. Alckmin, vestido de arauto da moralidade e destilando implicitamente sua condição de supernumerário da Opus Dei, iniciou a contenda pedindo esclarecimentos ao presidente sobre a origem do valor de R$1,7 milhão que teria sido usado para a compra de um dossiê para atacar candidatos do PSDB. Lula sentiu o golpe, e emendou afirmando que a Polícia Federal instaurou inquérito para apurar o ocorrido. Depois tentou puxar o (com)debate para a discussão dos planos de governo. Mas ao longo dos cinco blocos teve à frente um Alckmin extremamente agressivo e deselegante que não permitia discutir ações futuras e sempre retornava às cobranças sustentando-se no dossiegate. Palavras como mentiroso e leviano foram utilizadas lado a lado.
Findo o debate, boa parte da mídia veiculada na web tratou de arregimentar seus internautas para as enquetes, enquanto a maioria dos comentaristas políticos dos outros meios arregaçava as mangas para a militância tucana. Quem havia ganho o (com)debate? Em bloco, eles foram quase unânimes em afirmar peremptoriamente a vitória de Geraldo Alckmin. Naquele momento, poucas ilhas de lucidez política emergiram das torcidas organizadas constituídas de jornalistas políticos em torno do tucano. Estavam tão encantados com o novo estilo do “desafiador”, como a revista Veja classificou o candidato do PSDB na sua última edição propagandística, que não se deram conta de que, além deles, outras milhares de pessoas também tinham visto o debate.
A euforia dos nossos principais cronistas políticos se misturava à dos coordenadores da campanha de Alckmin, que vibravam com a nova desenvoltura do supernumerário da Opus Dei. Para a maioria desses jornalistas, apenas Lula ficara nervoso, enquanto Alckmin era o próprio Rock Balboa desfilando músculos. Pronto, Alckmin subira ao ringue para empolgar e agora viraria uma onda nacional. Só faltava combinar com o povo.
A primeira pesquisa de intenção de votos publicada pelo Instituto Datafolha após o (com)debate se encarregou de jogar uma ducha pra lá de gelada no entusiasmo dos tucanos e jornalistas-tucanos. Nos votos válidos, Lula aumentara a diferença de sete para 11 pontos. E o debate, que havia sido “ganho” para Alckmin, ficou no empate técnico, 41% a 43%, sendo que o primeiro índice refere-se àqueles que acharam que Lula tinha levado vantagem. Das duas uma: ou os nossos “inteligentes” e “responsáveis” jornalistas políticos não viram o mesmo debate que o restante da população; Ou, o que penso ser mais concreto, estes simplesmente atuaram como charangas organizadas.
Foi interessante ver a nata da imprensa política tupiniquim arranjando remendos para suas “análises” anteriores sobre o (com)debate, quase sempre pueris. Já não eram as mesmas que os posts verificados nos blogs das vedetes da imprensa nacional logo após o duelo. Depois, as fichas caíram coletivamente: Alckmin foi violento e agiu como um ventrículo sentado no colo dos coronéis do PFL; Não discutiu planos de governo; E suas supostas ética e moral não resistiram a uma breve comparação com o nefasto passado do PSDB à frente da Presidência da República. A grande mídia do Brasil, cuja boa parte tem nuances de golpismo, ainda vai criar centenas de factóides até o dia da eleição. E o pior é que vamos ter que agüentar seus “intelectuais” por mais 17 dias até a campanha findar. E haja paciência.

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  • Postado em 10:54:52