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Fugi do stress nas praias do Baixo-sul da Bahia, como a paradisíaca Boipeba
Férias são para ser gozadas na plenitude, em toda sua extensão e sem se dispensar um dia sequer. Nada de neuras workholics. Nós, assalariados, não podemos nos dar a esses luxos hipócritas de negar o ócio. Nada disso! É por isso que foram 30 dias bem curtidos, hora a hora, minuto a minuto, segundo a segundo. Recarregar as energias para vender o trabalho, ainda que a preço vil, com mais disposição. E têm aqueles que acham que trinta dias é muito blá, blá, blá. Como gostam de lamber botas de patrões! No entanto, voltando, sai da frente que agora é trabalho! E por que não iniciá-lo atuando em um não-remunerado, como esse blog? Aliás, sei que tem gente que cansou de esperar uma postagem, uma nota etc, e resolveu abandoná-lo. Não posso fazer nada. Estava no Litoral do Baixo Sul da Bahia olhando para os coqueiros entre as paradisíacas ilhas do Morro de São Paulo e Boipeba, precisamente da belíssima praia do Guaibim, em Valença. Apenas leituras pessoais, óculos de sol e mergulho, protetor solar, prancha de bodyboard, barcos, lanchas e, claro, muita cerveja gelada e petiscos.
Retornando à Terra, início de novos governos no plano estadual e federal, lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), violência no Rio de Janeiro, Big Brother na tela da Globo e a estridente preocupação dos jornalistas dessa emissora com os governos de Hugo Chaves Frías na Venezuela e Evo Morales na Bolívia.
A professora norte-americana Debra LaFave, 25, foi condenada por seduzir um aluno. Coitado do rapaz...
Nos Estados Unidos, uma professora de 25 anos, Debra LaFave, foi condenada a trabalhos comunitários supervisionados pela Suprema Corte. Debra assumiu que seduziu um aluno de 14 anos. "(...) Ela é onze anos mais velha do que o garôto e fez um terrível mal ao mesmo (...)". Ou o juiz não entende de mitologia grega, com o complexo de Jocasta, ou deve estar com inveja do garôto. Acho que fico com essa última opinião.
O frisson causado no Senado em relação à proposta de rebatizar o aeroporto de Salvador com o antigo nome, Dois de Julho, dá a medida certa do distanciamento da classe política das aspirações populares. O levante dos “notáveis” ocorreu na sessão de ontem à tarde, quando parlamentares debateram sobre a proposta. Do presidente da casa, Renan Calheiros, a senadores do porte de Eduardo Suplicy (PT-SP), foi quase unânime o coro em prol da manutenção do atual nome, Deputado Luis Eduardo Magalhães, uma homenagem ao filho do senador Antônio Carlos Magalhães que morreu em 21 de abril de 1998.
A verborréia foi a mesma, no parlamento e na mídia. Os senhores senadores se mostraram indignados com a possibilidade da mudança do nome. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), líder da oposição, classificou a proposta de “pequena”. Outros senadores, como Agripino Maia (PFL-RN) e Suplicy (PT-SP), improvisaram panegíricos à memória do político falecido. No Jornal do Brasil, o declarado jornalista carlista Augusto Nunes se encarregou de publicar nota ácida atacando o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner.
A atitude do Governo Federal, comandado à época pelo ex-aliado de ACM, Fernando Henrique Cardoso, revelava um mimo nas entrelinhas dos interesses das gestões de FHC e ACM. Os carlistas, naquele momento, disponham de farta bancada no Congresso Nacional e o presidente precisava desses votos para tocar seu governo. Era uma aliança política. Luis Eduardo Magalhães, que fora presidente da Câmara Federal, candidato ao governo da Bahia e tido como um dos quadros presidenciáveis dos pefelistas, postara-se como um dos mais sólidos pilares desse acordo envolvendo o PFL baiano e o tucanato de alta plumagem de São Paulo.
Dar o nome do aeroporto ao filho do presidente do Senado era mais do que um gesto de delicadeza, era selar essa aliança em meio à turbulência do falecimento da principal peça-chave da mesma.
E essa negociata política rifou a verdadeira homenagem feita pelo povo da Bahia aos seus heróis quando nomeou o aeroporto da capital do Estado com o nome de Dois de Julho. Certamente que o jornalista Augusto Nunes e os senadores da República desconhecem essa história, pois se conhecessem não tomariam tal atitude. E até mesmo aqueles que se colocam ideologicamente no campo politicamente antagônico ao carlismo, mas que defenderam a manutenção do nome atual por puro espírito de compadrio corporativista. É o caso da Vossa Excelência Suplicy.
Luta de resistência
O Dois de Julho foi luta popular de libertação. O Dois de Julho é festa cívica popular e na Bahia representa mais do que o próprio Sete de Setembro. Foi o momento em que o povo “baiense”, como nos narra os livros de História, se levantou contra a opressão portuguesa que ainda teimava em dominar o Brasil um ano após o processo de independência. Foi a guerrilha em Cachoeira e Salvador que uniu caboclos, negros e brancos brasileiros contra as tropas portuguesas. Dois de Julho poderia se chamar até mesmo o nome do Estado. E essa data de tanta representatividade simbólica para a memória cívica dos baianos foi vilipendiada para dar lugar ao culto à personalidade de uma dinastia que se sentia dona da Bahia. O aeroporto é Dois de Julho!